Se no campo o dado é a bússola, no escritório a SAF é o novo sistema operacional. Para quem vive a análise de dados, entender a Sociedade Anônima do Futebol (Lei 14.193/2021) é fundamental, pois ela altera diretamente a capacidade de investimento em tecnologia, scout e infraestrutura de dados dos clubes.
O que é SAF?
A SAF é um modelo societário que permite aos clubes de futebol (tradicionalmente associações civis sem fins lucrativos) se transformarem em empresas.
Na prática, isso significa que o clube deixa de ser gerido apenas por sócios políticos e passa a ter acionistas e investidores. O futebol torna-se um ativo de mercado, sujeito a auditorias rigorosas, governança corporativa e, claro, busca por lucro.
Por que todo mundo fala disso? (A Ótica dos Dados)
O barulho em torno da SAF acontece porque ela resolve o maior gargalo do futebol brasileiro: a asfixia financeira. No contexto do Campo Analítico, a SAF é o combustível para a “Dataficação”:
Acesso a Capital para Tecnologia: Associações endividadas raramente investem em softwares de rastreamento (tracking) ou bases de dados caras (Wyscout, Opta). A SAF traz o aporte necessário para estruturar departamentos de análise de elite.
Visão de Longo Prazo: No modelo associativo, o diretor muda a cada eleição, interrompendo processos de dados. Na SAF, a continuidade do projeto esportivo é garantida pelo plano de negócios do investidor.
Saúde Financeira e Multas: A lei permite o parcelamento de dívidas tributárias e cíveis, liberando o fluxo de caixa para contratações baseadas em modelos preditivos de mercado.
Qual o melhor modelo de SAF?
Do ponto de vista analítico e estratégico, não existe um modelo único vencedor, mas sim abordagens diferentes de controle:
1. O Modelo de Controle Total (70% a 90%)
É o caso de Botafogo (John Textor) e Cruzeiro (inicialmente Ronaldo, agora Pedro Lourenço). O investidor tem o comando absoluto.
*Vantagem Analítica: Decisões rápidas. Se o analista de dados mostra que um jogador sub-20 da Bélgica é um “undervalued asset”, o dono autoriza a compra sem passar por conselhos deliberativos.
2. O Modelo Multi-Club Ownership (MCO)
O exemplo máximo é o Bahia (Grupo City). O clube se torna parte de uma rede global.
Vantagem Analítica: Este é o paraíso dos dados. O Bahia agora compartilha o mesmo data lake e metodologia de scout de clubes como Manchester City e New York City FC. O “benchmarking” é global.
3. O Modelo Alemão “Adaptado” (Minoritário)
Clubes que vendem apenas uma parte da SAF para manter o controle com o clube social (como o Coritiba tentou desenhar).
* Vantagem Analítica: Traz profissionalismo sem perder a identidade cultural, mas pode gerar conflitos na hora de decidir onde investir o orçamento de tecnologia.
Por que o analista de dados deve se importar?
Para os alunos do Campo Analítico, a SAF representa a profissionalização do mercado de trabalho.
Empresas (SAFs) contratam com base em competência técnica e exigem métricas de ROI (Retorno sobre Investimento). Se você prova, através de modelos de Expected Goals (xG) ou Expected Threat (xT), que um atleta de baixo custo entrega performance de alto nível, você se torna o ativo mais valioso do clube.
“A SAF não compra apenas jogadores; ela compra processos. E processos modernos são construídos sobre dados.”
Essa serão uma sequência de textos que falam como a cultura do campo analítico precisa ser implementada em clubes, você já tentou a vida inteira fazer do seu jeito que tal fazer do nosso?!
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