A diferença entre um Coach (Treinador) e um Manager (Gestor) vai muito além da nomenclatura. Ela define quem detém o controle do destino do clube.


1. O Coach (Treinador Principal)
No modelo moderno de elite (comum na Alemanha e cada vez mais na Inglaterra), o Coach é um especialista de campo. Sua responsabilidade é treinar os jogadores, definir a tática e vencer o próximo jogo. Ele recebe um elenco montado pelo Departamento de Futebol e deve extrair o máximo dele.
Foco: Desempenho imediato, treinamento e tática.
Vantagem: Especialização técnica profunda.
2. O Manager (Gestor de Futebol)
Tradicionalmente britânico (como Alex Ferguson ou Arsène Wenger), o Manager controla tudo: desde a dieta dos atletas e as categorias de base até a contratação e venda de jogadores. Ele é o arquiteto do clube.
Foco: Sustentabilidade, cultura organizacional e visão de longo prazo.
Vantagem: Unidade estratégica absoluta.
Por que o modelo de “Técnico Soberano” é prejudicial?
No Brasil e em muitos clubes latinos, vive-se um híbrido perigoso: o técnico tem o poder de um Manager (escolhe quem contratar e quem dispensar), mas a estabilidade de um Coach (é demitido após três derrotas). Esse cenário é altamente prejudicial por três motivos principais:
A “Terra Arrasada” a cada demissão
Quando um técnico chega com plenos poderes, ele exige jogadores que se adaptem ao seu estilo específico. Se ele é demitido seis meses depois, o clube fica com um elenco caro, inchado e moldado para uma filosofia que não existe mais. O sucessor, por sua vez, pedirá uma nova “limpa”, gerando um ciclo interminável de rescisões e dívidas.
A Destruição das Categorias de Base
Um técnico pressionado por resultados imediatos dificilmente dará espaço a jovens promessas. Ele prefere o veterano “confiável” para garantir o emprego no próximo domingo. Isso rompe a integração com a base, que deveria ser o maior ativo financeiro e esportivo de um clube.
A Falta de DNA Institucional
Em clubes saudáveis, o estilo de jogo pertence ao clube, não ao treinador. Quando o técnico é maior que o projeto, o clube perde sua identidade. Se o treinador sai, o “norte” do clube vai embora com ele, deixando a instituição à deriva até que a próxima “salvação da lavoura” seja contratada.
O Caminho: A Estrutura acima do Indivíduo
Para que os clubes parem de ser reféns de técnicos, a solução é o fortalecimento do Diretor Esportivo (ou General Manager).
Nesse modelo, o clube define:
Como queremos jogar? (DNA tático)
Qual o perfil de jogador que contratamos? (Critérios de scouting)
Qual técnico se encaixa nessa estrutura?
Dessa forma, o treinador torna-se uma peça — fundamental, mas substituível — de uma engrenagem maior. Se o técnico sair, a estrutura permanece, as contratações continuam fazendo sentido e a transição é suave.
Conclusão:
Técnicos não são prejudiciais por sua competência, mas sim quando a estrutura do clube é fraca o suficiente para permitir que eles se tornem o próprio planejamento. O sucesso real nasce quando o clube sabe o que quer, e o treinador é apenas o executor dessa visão
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