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Futebol Brasileiro

Corinthians 1–1 Flamengo: Análise Tática Completa com Dados.

A
Aldrei Peralta
23 de março de 2026
8 min de leitura
Corinthians 1–1 Flamengo: Análise Tática Completa com Dados.

Campo Analítico | Aldrei Peralta Brasileirão 2026 — 8° Rodada | Neo Química Arena


O clássico nacional em números: o que os dados revelam além do placar

Um empate com 1 gol de cada lado pode parecer equilibrado na tabela. Mas quando os dados são abertos, a história é outra — e bem mais interessante. Corinthians e Flamengo protagonizaram um clássico com dinâmicas táticas distintas, momentos de domínio alternados e um volume de eventos (1.324 no total) que permite uma leitura precisa do jogo.

Este artigo apresenta a análise tática completa da partida usando dados reais de rastreamento de eventos, processados em R com as bibliotecas ggsoccer, ggplot2 e patchwork. Todos os mapas foram gerados a partir do dataset da partida.


Resultado e ficha técnica

InndicadoresCorinthiansFlamengo
GolYuri Alberto (18′)Lucas Paquetá (2′)
Posse estimada54%46%
Total de eventos689635
Passes454380
Passes certos385 (84%)321 (84%)
Finalizações1310
Faltas cometidas3434
Dribles tentados1814
Dribles bem-sucedidos10 (55%)4 (28%)

O empate em faltas (34–34) e a igualdade na taxa de acerto de passes (84% para ambos) esconde diferenças táticas importantes que só os mapas espaciais revelam.


O início agressivo do Flamengo: gol nos 2 minutos

Lucas Paquetá abriu o placar aos 2 minutos, finalizando de dentro da área após jogada pelo lado direito (x=91,1; y=31,4). Foi a declaração de intenções de um Flamengo que começou a partida em alta intensidade — o dado dos primeiros 15 minutos mostra ações ofensivas equilibradas (4–4), mas o Rubro-Negro converteu a sua principal chance logo no início.

A resposta corintiana foi rápida. Yuri Alberto empatou aos 18 minutos, finalizando de frente ao gol (x=94,9; y=49,4) — a posição mais central e perigosa de toda a partida. O lance consolidou o equilíbrio que perdurou até o apito final.


Mapa 1 — Passing Flow e Distribuição de Volume: Corinthians

Passing Flow + Volume de Passes do Corinthians, gerado pelo código de análise tática] Legenda: Direção e sentido dos passes (esquerda) e distribuição percentual por zona (direita)

O que o mapa revela

O Corinthians construiu seu jogo predominantemente pelo terço do meio-campo, com 54% dos passes certos concentrados nessa faixa. Os laterais Matheus Bidu e Matheuzinho foram os jogadores com maior volume de ações totais (100 e 80, respectivamente), sinalizando um jogo com saída pelos flancos.

A distribuição por zona mostra equilíbrio interessante entre o terço defensivo (22%) e o terço ofensivo (22%), com o meio-campo como eixo central do time. Isso revela um Corinthians que não se fechou — manteve circulação em todas as faixas do campo.

Os passes certos por jogador reforçam esse padrão:

JogadorPasses certos
Gustavo Henrique61
Gabriel Paulista55
Matheus Bidu55
Matheuzinho46
André Carrillo30
Rodrigo Garro24

Gabriel Paulista e Gustavo Henrique, zagueiros, lideraram a saída de bola — o que indica uma construção de baixo, com os defensores centrais como iniciadores do ataque posicional.


Mapa 2 — Passing Flow e Distribuição de Volume: Flamengo

Direção e sentido dos passes (esquerda) e distribuição percentual por zona (direita)

O que o mapa revela

O padrão do Flamengo é radicalmente diferente. Enquanto o Corinthians circulou pelo meio-campo, o Flamengo concentrou 45% dos seus passes no terço defensivo — a maior concentração de qualquer time em qualquer terço nesta partida. Apenas 7% dos passes certos foram no terço ofensivo.

Isso aponta para um Flamengo que, após abrir o placar, optou por um bloco mais recuado e saída direta. Jorginho (50) e Danilo (49) foram os mais ativos na distribuição, operando como pivôs da construção — padrão esperado dado o posicionamento defensivo predominante.

A comparação direta dos volumes por zona conta a história tática do empate:

ZonaCorinthiansFlamengo
Defensivo22%45%
Meio-campo54%46%
Ataque22%7%

O Flamengo teve quase três vezes menos ações no terço ofensivo. O plano de jogo após o gol era claro: administrar o resultado.


Mapa 3 — Ações ofensivas por período de 15 minutos

Cada mapa mostra a distribuição de ações por terço do campo em cada intervalo de 15 minutos

O momentum da partida minuto a minuto

PeríodoCorinthiansFlamengoLeitura
0–15 min44Equilíbrio — Fla marca no 2′
15–30 min74Cor responde, empata no 18′
30–45 min52Cor domina o primeiro tempo
45–60 min66Segundo tempo equilibrado
60–75 min30Fla recua totalmente
75–90 min25Fla pressiona no fim

O gráfico de momentum é possivelmente o dado mais rico da partida. O Corinthians dominou o primeiro tempo após o empate — especialmente dos 15 aos 30 minutos, quando registrou quase o dobro de ações ofensivas. O Flamengo praticamente desapareceu ofensivamente entre os 60 e 75 minutos, com zero ações registradas.

A reviravolta aconteceu nos minutos finais: o Flamengo recuperou intensidade nos últimos 15 minutos (5 ações contra 2), pressionando por um gol que não veio. O empate foi o resultado mais justo considerando o jogo completo, mas o primeiro tempo pertenceu ao Corinthians.


Mapa 4 — Passing Network Analysis (Rede de Passes)

Espessura das setas = frequência de conexão entre duplas; tamanho dos pontos = volume de passes do jogador

As conexões que moveram o jogo

A rede de passes do Corinthians revela o papel central de Breno Bidon e Rodrigo Garro como conectores entre defesa e ataque. A ligação dos zagueiros com o meio-campo foi o caminho mais frequente na construção corintiana — padrão visível pela espessura das arestas no mapa.

No Flamengo, Jorginho e Danilo formaram o núcleo da rede, com conexões densas para os laterais. A ausência de conexões frequentes com Pedro e os atacantes reforça o dado de apenas 7% de ações no terço ofensivo — o Flamengo não chegou com regularidade nas linhas avançadas.


Mapa 5 — Defesa do Goleiro: Hugo Souza (Corinthians)

Pontos vermelhos = gols sofridos; pontos roxos = defesas realizadas

Hugo Souza: 4 defesas, 1 gol sofrido

Hugo Souza registrou 26 ações na partida — o segundo maior volume entre os jogadores do Corinthians, o que por si só revela a intensidade da pressão sofrida. O gol de Paquetá veio nos primeiros 2 minutos, antes do goleiro poder se organizar taticamente.

As defesas seguintes mostram posicionamento adequado, especialmente nas finalizações de Arrascaeta e De la Cruz no segundo tempo. A análise do mapa de gol mostra que todas as defesas foram em posição central — o Flamengo tentou finalizar de dentro da área, mas Hugo Souza respondeu bem.


Cartões e disciplina: o jogo físico em números

A partida foi marcada por alto índice de faltas (34 de cada lado, 68 no total) e 5 cartões distribuídos:

Flamengo (3 amarelos):

Corinthians (1 amarelo + 1 no tempo extra):

O cartão de Alex Sandro no 1º minuto é dado raro e revela a intensidade com que o Flamengo entrou na partida — talvez até excessiva. O fato de Jorginho, peça central na construção, ter sido amarelado aos 41 minutos pode ter influenciado a postura mais conservadora do time rubro-negro no segundo tempo.


Distribuição de passes por zona do campo

Barras com destaque para zona de maior volume] Legenda: cada barra representa o percentual de passes em cada decil do comprimento do campo

Este gráfico complementa o Mapa 2 com uma visão mais granular. Enquanto o mapa de volume usa 18 zonas, o gráfico de decis divide o campo em 10 faixas e permite comparar onde cada time concentrou seu jogo de passes com maior precisão.

O Corinthians apresenta uma curva mais distribuída ao longo do campo, com pico na faixa central (decil 5–6). O Flamengo mostra pico concentrado nos decis 2–4 — confirmando o dado do terço defensivo elevado.


Conclusão: o empate que os dados justificam

O 1–1 foi um resultado matematicamente justo para uma partida com assimetrias táticas claras:

O Corinthians dominou o jogo posicionalmente, com maior presença no terço ofensivo, mais finalizações (13 × 10) e maior eficiência nos dribles (55% × 28%). O time de Dorival Jr jogou para ganhar durante a maior parte dos 90 minutos.

O Flamengo aplicou um plano de jogo reativo, especialmente após o empate. Com apenas 7% das ações no terço ofensivo, o time de Leonardo Jardim apostou na gestão do resultado e na velocidade de transição — o que quase funcionou nos minutos finais, quando registrou 5 ações ofensivas contra apenas 2 do Corinthians.

O gol de Paquetá nos 2 minutos foi o fator que determinou o comportamento tático de ambos os times pelo restante da partida. Sem aquele início explosivo do Flamengo, este poderia ter sido um jogo bem diferente.


Metodologia

Todos os dados e visualizações deste artigo foram gerados com R, usando os seguintes pacotes:

O dataset contém 1.324 eventos rastreados da partida, incluindo passes, finalizações, faltas, dribles, recuperações de bola e substituições.


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Todos os mapas, gráficos e cálculos deste artigo foram produzidos com R — a linguagem de programação mais usada em análise de dados esportivos no mundo. No Campo Analítico, você aprende a trabalhar com dados reais como esses, desde os fundamentos estatísticos até a produção de relatórios profissionais de scouting.

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