Como três indicadores revelam o colapso tático do Botafogo no Brasileirão 2026 — uma análise aplicada ao jogo contra o Athletico Paranaense.
Partida analisada: Athletico Paranaense 4 – 1 Botafogo Brasileirão 2026 Análise por indicadores
DBR · DPSD · DEE
Toda variável, para ser útil ao analista, precisa indicar algo com clareza. O processo de leitura de bancos de dados exige que os indicadores estejam alinhados com o que o analista de desempenho tem a obrigação de relatar. A goleada do Athletico Paranaense sobre o Botafogo, por 4 a 1, oferece um caso exemplar para entender como o DBR, o DPSD e o DEE se articulam numa análise integrada — e o que cada um revela sobre o que deu errado para o time carioca.
DBR: Distribuição de Bolas Recuperadas
O DBR mapeia onde a equipe recupera a posse no campo e para onde essa posse é direcionada após a recuperação. Mais do que contar desarmes ou interceptações, o indicador revela a qualidade posicional da recuperação — se a bola é reconquistada em zonas de pressão alta ou apenas no terço defensivo — e a capacidade da equipe de transformar recuperações em sequências ofensivas coerentes.
Aplicação no jogo — A análise de DBR com dados reais está disponível nas Formações do Campo Analítico.

No jogo contra o Athletico, a leitura do DBR do Botafogo aponta para um padrão recorrente: recuperações concentradas no terço médio-defensivo, com redistribuição predominantemente lateral ou recuada. Isso indica que o time não conseguiu instalar pressão no campo adversário, permitindo que o Furacão atuasse com conforto posicional e produzisse transições em velocidade — exatamente o ambiente que gerou os quatro gols paranaenses.
DPSD: Distribuição de Passes com Sentido e Direção
O DPSD é um dos indicadores mais estratégicos disponíveis ao analista de dados que trabalha junto à comissão técnica. Ele não apenas quantifica o volume de passes, mas classifica cada ação pela sua intenção direcional: progressivo, lateral, recuado ou de circulação. Um bom banco de dados, corretamente aplicado ao DPSD, transforma a equipe de dados num ativo competitivo real — capaz de identificar padrões ofensivos, vulnerabilidades na saída de bola e ineficiências na construção que passam despercebidas na análise visual convencional.

Athletico PR — Análise tática de passes — os dados completos revelam os corredores de pressão preferidos pelo Furacão.
A análise de DPSD do Athletico revela uma equipe com alto índice de passes progressivos nos terços central e direito, explorando sistematicamente o corredor esquerdo defensivo do Botafogo. O Furacão mostrou clareza na saída de bola: poucos passes recuados desnecessários, alto aproveitamento em situações de 1×1 no lado fraco. Já o Botafogo apresentou volume elevado de passes laterais na saída, sinalizando pressão alta bem-sucedida do adversário e dificuldade de progredir com segurança.
Pressing map Saída de bola Progressão pelo corredor PPDA
DEE Distribuição de Estratégias em Escanteios
Equipes inteligentes consolidam, metodicamente, a cultura das bolas aéreas como recurso estratégico. O DEE existe para tornar essa cultura mensurável. O indicador organiza as estratégias de escanteio por tipo de cobrança, zona de ataque, frequência de uso e taxa de conversão — separando o que é acidente do que é modelo. Se os resultados não têm sido favoráveis em bolas paradas, o momento de reavaliar estratégias de escanteio e redistribuir a frequência dessas bolas é exatamente agora.
Botafogo RJ — Corner Strategy vs Athletico Paranaense — os quadrantes revelam concentração de cobranças à direita do goleiro adversário com taxa de perigo acima da média.
O DEE desse confronto expõe uma assimetria clara: o Athletico explorou zonas de primeiro poste com movimentações curtas e bloqueios sobre o marcador, gerando disputas aereas em situações de superioridade numérica. O Botafogo, por sua vez, apresentou padrão de cobrança previsível — altura semelhante, zona semelhante, sem variação de timing. Previsibilidade em bolas paradas é uma vantagem entregue de bandeja ao adversário.

A leitura conjunta de DBR, DPSD e DEE não é um exercício acadêmico. É o protocolo mínimo para qualquer analista que precise apresentar diagnósticos objetivos a uma comissão técnica. O placar de 4 a 1 não foi um acidente — foi a soma de ineficiências que esses três indicadores conseguem nomear com precisão.
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